UM PEDIDO E UMA CONFISSÃO DO REV. THOMAS REID

Alexander C. Fraser (1819-1914) encontrou nos manuscritos do pastor e filósofo Thomas Reid um pedido de oração escrito em 30/03/1746. Nessa ocasião, a sua esposa, Elizabeth Reid, estava enferma e à beira da morte:

Ó Deus, desejo humildemente suplicar tua divina majestade em favor de minha esposa adoecida, que por tuas mãos está enfraquecida e que se encontra à beira da morte, caso o Senhor, o único que faz maravilhas, não intervier com misericórdia e não a trouxer de volta da beira da morte com teu braço todo-poderoso. Mereço com justiça, ó Senhor, ser privado da maior alegria da minha vida, porque não fui tão grato a ti, como deveria, por teres me presenteado com uma esposa tão afetuosa. Esqueci-me de tua bondade em nos fazer caminhar felizes e juntos por uma trilha de acontecimentos imprevistos e incontáveis, e em nos ter abençoado com tanto amor e harmonia de afetos, e tantas alegrias e prazeres da vida. Não tenho sido tão cuidadoso, como deveria, em ajudá-la a desenvolver a piedade e as virtudes cristãs. Não tenho tomado as dores dos meus filhos, servos e parentes como deveria. Ai de mim! Tenho sido tão negligente em meu dever pastoral e em minhas devoções particulares, tão afeito aos prazeres e às satisfações deste mundo, tão pouco influenciado pelas promessas e esperança de uma vida vindoura. Empreguei meus estudos, leituras e diálogos para meu próprio prazer mais do que para edificar a mim mesmo e aos outros. Pequei demais ao negligenciar muitas oportunidades de cuidar pessoalmente do meu rebanho e de minha família em suas questões existenciais, e ao usar também com trivialidade o emprego de meus exercícios públicos. Tenho perdido muito do meu tempo por causa de preguiça e sono, e não tenho trabalhado o suficiente para aliviar o sofrimento dos pobres e miseráveis como deveria. Abusei dos meios que a providência me permitiu para corrigir minhas más inclinações; delas tenho cuidado e as tenho alimentado constantemente. Por causa desses e de muitos outros pecados que escapam da minha memória, pode o Senhor com justiça infligir sobre mim tão grande castigo, tornar meus filhos órfãos e privar-me de minha querida esposa. Ó Senhor, aceita essa humilde e penitente confissão de minhas ofensas, reconheço-as com vergonha e profunda tristeza, e por tua Graça estou determinado a me aperfeiçoar. Se te for aprazível ouvir a voz das minhas súplicas, e o Senhor atender à minha oração em favor de minha querida esposa e restaurar-lhe a saúdefaço, pela Graça, uma promessa e um pacto de dar um termo a esses deslizes, expressando minha gratidão em um empenho vigoroso do meu dever como cristão, ministro e pai de família, e em uma oferta de 10 libras para os pobres em carne e dinheiro. Senhor, perdão se há algo de presunçoso ou indecoroso neste humilde e penitente pecador. Por favor, aceita o que sinceramente é concebido como um novo elo de minha alma com o meu dever, por meio de Jesus Cristo, meu Senhor e Salvador.

THO. REID

FRASER, Alexander Campbell. Thomas Reid. Edinburg: Oliphant, 1898, p. 34-35.

4 comentários sobre “UM PEDIDO E UMA CONFISSÃO DO REV. THOMAS REID

  1. É impressionante como eu me vi nessa oração. Tantas coisas nós fazemos que serviriam para glorificar a Deus, mas parece que nos esquecemos de que tudo e todos somos de Deus.

    Que essa oração possa ser vista por muitos e sirva para que as pessoas que a virem, se vejam como pecadores, com necessidade do favor de Deus, como Thomas Reid foi.

  2. Eu me ví nessa oração! Pude sentir a dor, o coração derramado e quebrantado do Pastor e Filósofo Thomas Reid, diante de Deus. Realmente o tempo passa, ou nós passamos, tão rapidamente que sempre deixamos para depois decisões fundamentais de nossa vida como: Ser um fiel seguidor de Jesus Cristo – um discípulo, amar e cuidar de nossa esposa e filhos, ter uma vida devocional diária, leitura profunda da Palavra de Deus e estudos de apoio aos sedentos de conhecimento do Reino, ser zelosos no cumprimento do Ministério e alcançar os perdidos na Casa do Pai e no mundo! Que Deus tenha misericórdia de nós…!!! Adolfo Ramos.

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